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Família + Esporte

Pais parceiros: como apoiar o filho tenista sem pressionar

Por Thiago Mola · Coach Mental e Técnico de Tênis · 7 de maio de 2026

Em 25 anos como coach de tênis, uma das cenas que mais se repete é esta: uma criança de 10, 12, 14 anos que ama o esporte dentro de quadra e sente um peso enorme do lado de fora. O peso, quase sempre, vem dos pais. Não por má intenção. Por excesso de amor, misturado com expectativa.

O papel dos pais no desenvolvimento de um jovem tenista é um dos fatores mais decisivos que existem. E também um dos menos discutidos.

O que os filhos mais sentem (e raramente falam)

Jovens atletas raramente verbalizam isso para os pais, mas o que mais pesa não é a derrota. É o olhar depois da derrota. É a pergunta no carro de volta para casa. É a comparação com o colega que está evoluindo mais rápido.

A criança ou adolescente que sente que seu valor como filho está atrelado ao resultado no torneio vai carregar esse peso dentro de quadra. E peso dentro de quadra é o inimigo número um do alto rendimento.

Atletas jovens precisam de um espaço seguro para errar. Sem esse espaço, o medo do erro substitui a vontade de jogar. E aí o esporte vira obrigação.

As três frases que destroem e as três que constroem

Destroem (mesmo com boa intenção):

"Por que você não usou o forehand naquele ponto?" — análise técnica na hora errada vira crítica.

"Você poderia ter ganho se tivesse jogado melhor." — a criança já sabe. Ela não precisa que digam isso.

"O outro menino treina todos os dias." — comparação cria competição interna que não serve para o desenvolvimento.

Constroem:

"Gostei de te ver em quadra hoje." — presença sem julgamento.

"Como você se sentiu jogando?" — devolve a narrativa para ela.

"Estou orgulhoso de como você lutou." — valoriza processo, não resultado.

O que fazer (e o que não fazer) durante o jogo

Durante partidas de competição, a orientação que dou a todos os pais que acompanho é: torça, não oriente. Seu filho tem um coach. Na quadra, ele precisa de torcida, não de mais uma voz dizendo o que fazer.

Sinais de linguagem corporal também falam. Franzir o cenho depois de um erro, suspirar, olhar para o lado. Tudo isso chega para a criança que está em quadra e vai olhar para as arquibancadas nos momentos de dúvida.

O ideal: expressão neutra, encorajadora nos bons momentos, estável nos difíceis.

"A quadra é do atleta. Seu papel nas arquibancadas é ser o porto seguro, não o segundo treinador."

Como criar um ambiente de alto rendimento em casa

Alto rendimento em casa não significa cronograma rígido e privação de infância. Significa criar condições para que o atleta chegue ao treino descansado, alimentado, com mente aberta para aprender.

Significa também respeitar os ciclos do esporte. Tem semanas de pico, tem semanas de recuperação. O atleta jovem precisa de sono suficiente, hidratação, alimentação equilibrada. Esses são os pilares físicos que o pai e a mãe controlam diretamente.

E no plano emocional: conversas abertas sobre o esporte, espaço para dizer "não estou gostando de treinar essa semana" sem que isso seja interpretado como fraqueza ou desistência.

Quando buscar apoio especializado

Se o filho começou a evitar treinos, se a ansiedade antes de jogos é muito alta, se o esporte passou a ser fonte de sofrimento consistente: é hora de conversar com um coach mental especializado em esporte.

Isso não é sinal de fraqueza. É cuidado. E quanto mais cedo esse trabalho começa, mais rápido o atleta recupera a relação saudável com o esporte e passa a performar com consistência.

Thiago Mola atende atletas jovens e seus pais com coaching mental e técnico integrado. Conheça o trabalho e veja como ele pode ajudar seu filho a evoluir com consistência.

Conhecer o trabalho →